terça-feira, 5 de abril de 2011

Tendenze

A Tendenze representa as tecelagens Schlösser e Menegotti no Rio de Janeiro e em parceria com os cursos de Moda das faculdades cariocas criou o projeto Espaço Criativo, em 2006. A ideia era criar peças com os tecidos das marcas para que os representantes pudessem apresentar às confecções roupas produzidas com o material que eles estavam vendendo. Em vez de chegar com o tecido e dizer "olha que tecido incrível" eles podiam dizer "olha que roupa incrível vocês podem produzir com esse tecido".

O link para o projeto, que já foi desativado, é http://www.tendenze.com.br/ficha.asp?id=90









TCC - O Soldadinho de Chumbo e o Mito do Herói - projeto gráfico

A ideia para esse projeto era criar uma espécie de cápsula do tempo, onde as crianças guardam objetos para abri-la depois de adultos. Então, entre os tesouros guardados estão vários objetos relacionados com a fábula dO Soldadinho de Chumbo aleijado que se apaixona pela Bailarina de Crepom ou Seda, conforme a versão da história. Usei as cores de uma aquarela como cartela.

























TCC - O Soldadinho de Chumbo e o Mito do Herói - teoria

Introdução

Desde os tempos mais remotos o homem conta estórias. Para se divertir, para educar, para seduzir. Ainda nos seus primeiros grunhidos ele já esboçava essa vontade: nas paredes das grutas ficaram registrados indícios desse desejo, que chegou até hoje, passando de pai para filho, de boca em boca numa tradição que se renova e se transforma de tempos em tempos.

Surgiram as lendas e os mitos, para tentar explicar o que homem não conseguia entender, seja um sentimento ou um fenômeno atmosférico.

Nas cortes, os nobres possuíam seus menestréis, que cantavam e contavam as aventuras dos heróis que subjugavam vilões e princesas que sonhavam com – e encontravam – o amor eterno. No Egito, na Itália ou na China, os heróis sempre venciam as forças do mal e ficou instituído, então, o felizes para sempre.

Ideal como o final feliz, é também o tripé mocinha, vilão e herói. Funciona tanto para homens quanto para mulheres. Elas se colocam no lugar dela: indefesa, passiva e sentimental. Os homens, no lugar do herói: destemido, forte e provedor. E quanto ao vilão... Não importa mesmo. O castigo o aguarda no final.

O objetivo desse estudo é apresentar e explicar alguns conceitos do que é um herói e o que é heroísmo. Para isso foi escolhido o conto O Soldadinho de Chumbo, de Hans Christian Andersen. Segundo o estudioso das religiões Joseph Campbell, a estrutura da estória se assemelha mais à do mito do que à do conto de fadas, por não ter final feliz.


O Mito do Herói

“Herói é alguém que deu a própria vida por algo maior que ele mesmo”.

Martin L. King, Jr., 1963

Um mito é uma narrativa tradicional com caráter explicativo e/ou simbólico, relacionado com uma dada cultura e/ou religião, que procura explicar os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, a origem do Mundo e do Homem. Pode-se dizer que o mito é uma primeira tentativa do homem de explicar a realidade.

Na maioria das vezes, o termo refere-se especificamente aos relatos das civilizações antigas que, organizados, constituem uma mitologia. Todas as culturas têm suas histórias, algumas das quais são expressões particulares de arquétipos comuns a toda a humanidade. Uma das figuras arquetípicas comuns em quase todas as mitologias é o herói.

Variando conforme a época, o herói é marcado por uma projeção ambígua: por um lado, representa a condição humana, na sua complexidade psicológica, social e ética; por outro, transcende a mesma condição, na medida em que representa facetas e virtudes que o homem comum não consegue, mas gostaria de atingir – coragem, força de vontade, determinação, paciência, etc.

O herói será tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas – liberdade, coragem, justiça, moral, paz. Eventualmente buscará objetivos supostamente egoístas (vingança, por exemplo); no entanto, suas motivações serão sempre moralmente justas ou eticamente aprováveis, mesmo que ilícitas. Aqui é preciso observar que o heroísmo caracteriza-se principalmente por ser um ato moral. O indivíduo que demonstre virtudes típicas do herói poderá ser um ídolo, mas não um herói. Porém, o herói pode ser um ídolo. Trataremos disso mais adiante.

O mito do herói pode ser resumido em três palavras: partida, realização e retorno. O herói reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica. Para os gregos, o herói situa-se na posição intermédia entre os deuses e os homens, sendo, em geral filho de um deus e um mortal. Uma das personagens que melhor representa esse mito é Ulisses (ou Odisseu, na mitologia grega).

Sobre seu nascimento, há contradições. A versão mais comum relata que Autólico – filho de Hermes e grande ladrão – queria um neto tão esperto quanto ele. Através de um ardil fez com que sua filha Anticléia se entregasse a Sísifo, rei de Corinto, o homem mais inteligente da Grécia. Dessa união nasceu Ulisses, que seria criado por Laerte, marido de Anticléia. No entanto, ao saber pelo oráculo que teria seu trono tomado pelo filho, Laerte o manda para ser criado e educado pelo centauro Quirão.

O sábio lhe ensina música, medicina e finalmente a arte de guerrear. Quando chega o momento, Quirão o manda de volta a Ítaca onde passa a viver entre o povo, observando seus problemas e demonstrando o caráter justo inspirado pelo centauro.

Para resumir, as três etapas do mito, segundo Joseph Campbell:

- partida: é mandado por Laerte para ser criado pelo sábio Quirão;

- realização: adquire conhecimento ao mesmo tempo em que passa de criança a adulto;

- retorno: volta a Ítaca, vive entre o povo e toma o lugar do pai, reinando com sabedoria, inspirado por Quirão.

Homero relatou as histórias de Ulisses nos épicos Ilíada e Odisséia. Naquele, era coadjuvante e nesse, protagonista. A Odisséia conta a viagem de Ulisses e os Argonautas de volta a Ítaca após a guerra de Tróia – relatada na Ilíada. Escrita por Homero para um público de marinheiros e nobres ricos, a obra conta não apenas aventuras em busca de estanho ou especiarias, mas transpõe a realidade para o plano mítico, fazendo viver em Ulisses mais que um comerciante arrojado ou um marinheiro sem destino. Pelo contrário: na personagem está presente a marca da criatura que luta contra os desígnios dos deuses, tentando manter a supremacia da razão e da consciência humanas.

Ulisses é um ser trágico como Édipo, Aquiles ou Ájax. Diante do Destino, que o arremete contra os fatos marcados, ele conserva lucidez e vontade próprias. Em comparação a outras personagens do ciclo heróico, Ulisses prima pela inteligência, enquanto Aquiles é o puro impulso rebelde e guerreiro e Ájax é a violência cega.

Em contrapartida, é preciso levar em consideração, também, fatores geográficos e pontos de vista na construção da imagem do herói, que para seu povo é um ídolo, mas para outros não passa de um algoz. Tanto Aquiles como Ulisses foram os grandes vilões da ruína de Tróia. É sabido que ambos atingiram a eternidade, mas cumprindo destinos distintos. Enquanto Aquiles representa a glória sem retorno, Ulisses é o retorno sem glória e sua história só ficou conhecida por que Homero viu a necessidade de dar a Aquiles um contraponto. Quando Ulisses – recomendado por Circe – desce ao Mundo Inferior para perguntar ao profeta cego Tirésias como proceder para ter um retorno seguro a Ítaca, encontra também o espírito de Aquiles, que se queixa da companhia “dos que não tem hálito” e se arrepende da troca feita. Eis o núcleo do diálogo entre Ulisses e Aquiles, extraído da Odisséia:

“‘Ó Aquiles, filho de Peleu, o mais forte dos Aqueus,

vim por necessidade de Tirésias, para que algum conselho

ele me dê sobre como eu possa chegar à rochosa Ítaca.

Pois ainda não cheguei perto da Acaia, nem sobre minha

terra pus os pés, e sempre suporto males; mas do que tu, Aquiles,

nenhum homem antes (foi) mais bem-aventurado nem (será) a seguir.

Pois antes, estando vivo, te honrávamos como aos deuses,

nós os Argivos, por sua vez agora tens amplo poder sobre os mortos,

estando aqui; por isto não te aflijas por estar morto, Aquiles.’

Assim eu disse, e ele, de imediato retrucando, disse para mim:

‘Não me consoles da morte, ilustre Ulisses!

Preferiria, sendo um lavrador, alugar meus serviços a um outro,

a um homem sem-lote, que não tem muitos recursos,

do que reinar entre todos os mortos já perecidos.’”

Dez anos depois Ulisses fecha novamente o ciclo partida/realização/retorno. Sobrevive aos contratempos da volta, quase morre afogado, mas chega a Ítaca em tempo de retomar seu lugar ao lado da esposa Penélope, que vinha sendo assediada e humilhada pelos inúmeros pretendentes instalados no palácio. “Ulisses está morto”, diziam.

O herói entra na cidade disfarçado em trapos e ao chegar ao palácio real é ultrajado e maltratado pelos candidatos à mão da rainha. Penélope se comove ao assistir a essa cena e pede à sua serva que dê ao mendigo tratamento adequado. A serva ao se aproximar do pedinte reconhece o amo, que lhe pede segredo. Penélope anuncia – ainda sem desconfiar que aquele mendigo seja seu esposo – que desposará aquele que conseguir atirar uma flecha, com o arco de Ulisses, através de doze orifícios abertos nos cabos de doze machados. Ulisses, ainda disfarçado, se propõe a cumprir a tarefa proposta pela esposa ao que todos zombam dele.

A arma é trazida e, um a um, os candidatos mal conseguem esticar o arco. Ulisses finge grande esforço ao levantar a própria arma, e obtém sucesso na tarefa. Depois, rindo muito, promove uma chacina entre os usurpadores. A serva conta a Penélope o acontecido. Como louca, sai correndo pelos salões do palácio à procura do marido. Face a face os esposos olham-se extasiados. Depois entram lentamente no quarto conjugal e amam-se como se fosse a primeira vez.

O psiquiatra Otto Rank afirma, em seu livro O Mito do Nascimento do Herói, que todos podemos ser considerados heróis, pois durante o nascimento deixamos de ser criaturas aquáticas, flutuando em líquido amniótico, para assumir a condição de bípedes mamíferos. Além dessa transformação no nível físico, há ainda transformações psicológicas profundas, decorrentes do ato de nascer. Ainda segundo Rank, a heroicidade do ato de nascer faz jus ao respeito e ao apoio de toda a sociedade.


Hans Christian Andersen e O Soldadinho de Chumbo

No começo do século XVIII os países europeus passavam por profundas transformações decorrentes das primeiras vitórias importantes de Napoleão Bonaparte. Na Dinamarca a atmosfera é de exaltação nacional e há a busca de valores ancestrais, no sentido étnico da palavra, de revelar seu caráter como raça.

É nesse ambiente de ufanismo que é criado Hans Christian Andersen. Nascido em uma família muito pobre e filho de um sapateiro, Andersen pouco pôde estudar, mas aprendeu a ler ainda muito novo e adorava ouvir as histórias que seu pai contava. Ficou órfão aos 11 anos e aos 14 deixou Odense – sua cidade natal – na Dinamarca e foi para Copenhagen, onde teve seus estudos financiados pelo diretor do Teatro Real, Jonas Collin.

Em 1828, entrou na Universidade de Copenhagen e no ano seguinte já publicava alguns livros, mas o reconhecimento internacional só veio em 1835, com o lançamento do romance O Improvisador. Em 1835 é publicado também Fairy Tales for Children. Quem lia esse livro – fosse adulto ou criança – queria mais, e Andersen publicou um total de 168 contos. Apesar de ter escrito diversos livros, poemas e peças, o escritor se tornou mais conhecido como autor de histórias infantis.

Embora várias delas estejam ambientadas no universo fantástico da imaginação, a maioria está presa ao cotidiano. Andersen conheceu desde a miséria inominável até a riqueza abundante dos salões de baile da corte. O escritor é considerado o primeiro autor romântico a contar histórias para crianças. Assim, seus textos são carregados dos padrões de comportamento exigidos pela nova sociedade patriarcal, liberal, cristã e burguesa que se estruturava. Na ternura que ele demonstrava pelos fracos e desvalidos, encontramos a generosidade humanista e o espírito de caridade próprios do Romantismo. No constante confronto entre fortes e fracos, poderoso e desprotegido, vemos não só a injustiça do explorador, mas a superioridade humana do explorado e a profunda consciência de que todas as pessoas devem ter direitos iguais.

Um dos contos mais conhecidos de Hans Christian Andersen é O Soldadinho de Chumbo (Den Standhaftige Tinsoldat, no original).

O protagonista da história é um pequeno soldado de brinquedo feito a partir de uma colher de chumbo derretida. Porém, o metal não foi suficiente e ele ficou sem uma perna. Ele se apaixona pela bailarina do castelo de papel, mas o invejoso xaveco percebendo a paixão nutrida pela boneca, arquiteta um plano para se livrar do soldadinho.

Por obra do destino ou do xaveco, o soldado cai pela janela e é encontrado por um grupo de garotos. Um deles manda o boneco esgoto abaixo em um barco de papel. No subterrâneo o bravo herói enfrenta ratos e baratas, mas acha que não vai sobreviver. Quando o esgoto desemboca no mar, o barco começa a ceder com o peso do chumbo e se rasga. O soldado começa a afundar e ele pensa que sua jornada vai terminar ali. Um peixe o engole e ele tem certeza que sua aventura terminou. Mas por uma dessas coincidências que só acontecem nos contos de fadas, o mesmo peixe que o engoliu é pescado e levado ao mercado, onde é comprado pela cozinheira do seu dono.

Depois de pensar durante algum tempo no futuro que poderia ter ao lado da bailarina, uma luz intensa lhe cega os olhos: “olha! Meu soldado de chumbo!” diz uma voz familiar. O garoto, que estava na cozinha quando a cozinheira preparava o peixe, pega o boneco e o leva para o quarto, onde o coloca junto com os outros brinquedos.

O xaveco não entende como o herói conseguiu voltar, mas decide se livrar dele definitivamente. À noite, quando todos estão dormindo e os brinquedos ganham vida, o xaveco pula de sua caixa empurrando o soldado, que cai na lareira acesa. Enquanto o chumbo vai derretendo, o boneco olha para a bela bailarina de papel e renda e dela se despede. Uma corrente de ar sopra a boneca do castelo e ela cai delicadamente ao lado do soldado. Na manhã seguinte, ao varrer a lareira, a empregada encontra entre as cinzas um pequeno coração de chumbo enfeitado com as lantejoulas da bailarina. Final shakespeariano.

Joseph Campbell falando sobre metáforas em seu livro O Poder do Mito, afirma que o mergulho em águas profundas significa a imersão do indivíduo no inconsciente e a barriga, ser retirado da barriga, significa o renascimento para uma vida transformada por esse mergulho no inconsciente. Ainda segundo Campbell, esse é um tema recorrente nas mitologias.

Encontramos a mesma metáfora na parábola de Jonas e a Baleia, e também em Pinóquio. Mesmo Ulisses, quando se aproximava da Feácia, foi tragado por Posseidon que queria se vingar pela morte de seu filho, o ciclope Polifermo. Quem o salvou foi a ninfa Ino, que lhe deu seu véu e pediu que o amarrasse na cintura. Assim Ulisses conseguiu nadar por dois dias e duas noites, até atingir a costa da Feácia. Quando chegou à praia, jogou o véu de Ino de volta ao mar e dormiu em uma moita até recuperar as forças.


O Culto à Celebridade

Os seres humanos dão mais atenção aos seus semelhantes que obtêm sucesso. É compreensível esta estratégia. Provavelmente, nos períodos mais remotos deveriam ser considerados como expoentes máximos todos aqueles capazes de esborrachar crânios ou serem os mais rápidos a comer os inimigos, a espadeirar, a envenenar, a delatar, a vigarizar, a traficar, etc. No fundo, os "melhores" seriam os mais aptos em sobreviver”.

Salvador Massano Cardoso,

Doutor em epidemiologia e medicina ocupacional da Universidade de Coimbra

“No futuro, todas as pessoas serão famosas por quinze minutos”.

Andy Warhol,

Artista plástico

Se Warhol naquele momento de genialidade teve um vislumbre do que seria o futuro quando disse essa frase, é impossível descobrir. Ou se George Orwell poderia imaginar que 1984 serviria de inspiração para criar um dos mais populares reality shows da TV, ninguém sabe. O que se sabe é que com o predomínio da televisão como meio de entretenimento desde meados do século XX, vivemos uma nova era de idolatrias que, como todas, nasce cozida no forno da cultura popular.

Assistimos, sem dúvida, com a onda dos reality shows a uma nova leva de ídolos ou a uma nova natureza de ídolos, presas dóceis para a critica fácil. Falo obviamente das pessoas desprovidas de conteúdo que passaram a ser mais conhecidas do país do que importantes figuras históricas, da noite para o dia e sem razão aparente.

Para a jornalista inglesa Lucy Hughes-Hallett, autora do livro Heróis – Salvadores, Traidores e Super-Homens, as celebridades estão assumindo o posto antes ocupado por estadistas, atletas ou bombeiros e policiais, mais por estarem em evidência por causa de qualidades que as pessoas “comuns” aspiram - como, por exemplo, dinheiro, beleza ou fama – do que por salvar vidas ou outro grande feito merecedor de condecorações ou honras militares.

O que você quer ser quando crescer? Até algum tempo as respostas mais comuns dadas pelas crianças eram médico, astronauta, bailarina ou dentista. Agora isso já não importa mais, desde que se preencha uma condição: ser famoso. Hoje o faz de conta está mais ligado às personalidades da TV, incluindo nesse balaio de gatos vencedores de reality shows, dançarinas de funk e pagode e outras personagens do mundo cão.

Enquanto as brincadeiras infantis preparam para a vida adulta, entre os jovens adultos, na faixa dos trinta anos, foi detectado um interesse por objetos e comportamentos que remetem à infância e à adolescência. Para rotular essa tendência foi cunhado o termo kidult, ou adultescente, numa tradução aproximada. O que pode explicar esse comportamento nostálgico, além é claro do saudosismo por uma fase da vida cheia de diversão e livre de responsabilidades e cobranças, seria exatamente o oposto disso. A frustração causada pela sensação de ter vivido uma infância pouco aproveitada ou pior, a constatação de que as fantasias de criança não passaram de fantasias e a vida não lhes reservou nenhum lugar especial no imaginário popular.

Aliás, a fama a qualquer custo cria diariamente personagens e histórias tão absurdas que nem a mais louca ficção seria capaz de gerar.

Madonna, a rainha do marketing pessoal, serviu de professora para muita gente. Britney Spears, talvez a sua maior seguidora, andou aparecendo sem calcinha por aí e raspou a cabeça. Michael Jackson mudou a cor da pele, casou-se com Lisa-Marie Presley e teve dois filhos com sua dermatologista, antes de protagonizar um escândalo de pedofilia. Será que não foi outra jogada de marketing? E como Romário vai se manter na mídia, agora que o gol mil já foi marcado? Nem sempre a fama é uma coisa boa.


A marca, a coleção

Um som masculino, grave. O murmúrio da cidade que não pára. Medida de energia. Unindo todas essas idéias surgiu a Volt, marca assinada por Rosival Oliveira desde 2007, cuja proposta é fazer moda masculina com um toque de ironia e maldade, que levam a alfaiataria a fronteiras ainda pouco exploradas. Uma das características mais marcantes da Volt é o estilo militar, sempre presente nas coleções, porém observado sobre diversos ângulos.

Guerrilheiros, cangaceiros, piratas e a Jovem Guarda já serviram de inspiração para o seu criador. Uma das maiores preocupações de Rosival Oliveira é conciliar o conceitual e o comercial de forma equilibrada, sem exageros minimalistas ou delírios carnavalescos: aqui o mais importante é ser usável, mas com personalidade.

Em um momento fortemente marcado pela belicosidade, era de se esperar que isso se refletisse de alguma forma na produção cultural, mais precisamente, uma reação cultural. Isso aconteceu nas artes plásticas, no cinema e na música, e como não poderia deixar de ser, também na moda. Desde setembro de 2001, os maiores criadores do mundo – Westwood, Yamamoto e McQueen, entre outros – num primeiro momento demonstraram sua tristeza e luto através da ausência de cores e modelagens desconstruídas e soltas, que escondiam o corpo e, por conseguinte, não eram nada sensuais. Passado algum tempo, no entanto reencontramos a alegria de viver nas passarelas internacionais, como uma forma de escapismo, para esquecer as mazelas do mundo e ter disposição para enfrentar os monstros do cotidiano.

A coleção primavera-verão/2008 Volt recorre às lembranças de infância para isso: O Soldadinho de Chumbo não nos deixa esquecer das feridas, mas faz o possível para torná-las mais suportáveis. Assim, o militarismo de brinquedo é inspirado nos uniformes das forças armadas de vários povos e épocas, sem se preocupar em localizar as referências no tempo ou espaço.

Pintadas com cores primárias, as roupas vêm com as formas do momento. O shape é seco numa referência ao movimento mod e Sargent Pepper´s. A modelagem é cuidadosamente estudada e explorada, buscando o ajuste perfeito ao corpo do homem. Não há estampas, apenas um listrado regimental.

Rio Moda Hype 7ª edição - ss/08

Neste trabalho coloquei muito da minha história e exagerei no que seriam as tendências para aquela estação em detrimento do meu estilo, do que eu acredito de verdade. Como resultado pela infidelidade aos meus princípios, não passei nem na primeira seleção. A lição aprendida foi: seja fiel a si mesmo e você não vai se desapontar. Apresento além do projeto gráfico - inspirado pelo livro Flicts, de Ziraldo - uma das peças confeccionadas para essa competição.